A infraestrutura brasileira



Após ouvir o excelente Podcast do Xadrez Verbal (como sempre), episódio 142, resolvi escrever sobre a Infraestrutura brasileira ou, praticamente, transcrever o Podcast com os vários dados citados por Filipe Figueiredo e Matias Pinto.


Os dois publicaram vários dados sobre a infraestrutura mundial, enfatizando a situação Brasileira, extraindo de estudos do Banco Mundial (databank.worldbank.org), UIC (União Internacional de ferrovias - da qual o Brasil não faz parte), dentre outros.


Este artigo, o podcast, os estudos e seus dados são publicados em momento propício, dado o atual contexto de crise dos caminhoneiros no país, combustíveis, etc., mostrando como o Brasil anda na contramão do mundo - mais uma vez, infelizmente.

Faremos uma comparação da situação dos transportes nos países, considerando ferrovias, rodovias, aerovias, hidrovias, para cargas e passageiros. E é importante observar não apenas o poderio econômico de cada país, mas, também, a extensão de seu território, número de habitantes, etc.

Vamos aos dados:

  • Quantidade de Km de ferrovia disponíveis: ​Aqui o estudo não contabiliza ferrovias urbanas como metrô, por exemplo)

Em 1º lugar, estão os Estados Unidos com 257.000km de ferrovias disponíveis. Em 2º está a China com uma disponibilidade bem menor que os EUA, com 127.000km


O Brasil ocupa a 8ª posição com 37.000km de ferrovias disponíveis, mas, um país muito menor em extensão de território que o Brasil, a Alemanha, está em 6º lugar com 43.000km.


Um exemplo que demonstra a precariedade brasileira é a situação da Argentina, em 9º lugar com 36.900km, ou seja, um país muito menor, economicamente pior, tem praticamente o mesmo tamanho de ferrovia.

  • Proporção de km de ferrovia por km² de área:

A cada 300km² de área no Brasil, temos 1km de ferrovia e ocupamos a 110ª posição no ranking do Banco Mundial. Já a Suíça tem 1km de ferrovia a cada 7,9km² de área, os Estados Unidos 43,7km²/1km de ferrovia, a China 97,5km²/1km.


Para não usar apenas exemplos de países ricos, observe os outros países abaixo:

- Polônia 16km²/1km ferrovia

- El Salvador 37km²/1km ferrovia

- India 48,3km²/1km ferrovia

- Rússia 97,5km²/1km ferrovia

E na lista abaixo os Sulamericanos:

- Uruguai 58,8km²/1km ferrovia

- Argentina 57,4km²/1km ferrovia

- Mexico 114,4km²/1km ferrovia

- Chile 128,2km²/1km ferrovia

Lembrando, o Brasil tem quase 300km² de área para cada 1km de ferrovia.

  • Toneladas de cargas transportadas por ferrovia:

O Brasil ocupa uma posição razoável no ranking, a 6ª, porém, transporta em ferrovias apenas 267 Bilhões de toneladas por ano.


Em 1º lugar estão os Estados Unidos com cerca de 10 vezes mais: 2,6 Trilhões de toneladas. China (2º) e Rússia (3º) também transportam quase 10 vezes mais que o Brasil. A Índia, em 4º, transporta o dobro do Brasil!


Os números do Brasil são comparados com Cazaquistão e Ucrânia.

  • Transporte de Cargas

O transporte de cargas no Brasil tem a seguinte divisão:

- 61% por rodovia

- 21% ferrovia

- 14% hidrovia

- 0,4% - aéreo

- 0,3% outros

Sendo que, se excluirmos desse cálculo o minério de ferro, o Brasil transporta 78% de sua carga em rodovias.


Abaixo os números da China:

- Ferrovia 51%

- Hidrovia 27%

- Rodovia 22%

Ou seja, a China faz exatamente o contrário que o Brasil.

  • Passageiros em ferrovias por ano

Talvez um dos números mais surpreendentes, mas o não o mais importante (ainda vamos falar dele), o Brasil transporta 1,3 milhão de passageiros por ano em ferrovias.


Um número até surpreendente, afinal, você conhece alguém que viajou de trem no Brasil? Ironicamente, talvez um número relevante esteja no passeio da "Maria Fumaça" em Tiradentes/MG.


Em 1º lugar no ranking está o Japão com 9 bilhões de passageiros! Obviamente não se trata do número de pessoas, pois, uma mesma pessoa anda mais de uma vez nos trens.


Outros números:

- India - 8 Bilhões de passageiros/ano

- Alemanha - 2 Bilhões

- EUA - 31 Milhões

Mesmo os EUA tendo um número muito mais baixo que o Japão, por exemplo, transporta quase 30 vezes mais que o Brasil!


Ressalta-se que o Brasil não tem nenhum trem de alta velocidade, o que não é exclusividade de países ricos, afinal, o Uzbequistão tem o seu.

  • Transporte de passageiros em números absolutos:

Segundo o ministério do Turismo, em 2016 o Brasil transportou passageiros do segunite modo:

Interestaduais:

- Aéreo: 83 milhões

- Rodovia: 43 milhões

Internacional:

- Aéreo: 28 milhões

- Rodovia: 9,5 milhões

O transporte de passageiros em ferrovia sequer entra nas contas do Ministério do Turismo, pois, proporcionalmente, é ínfimo, afinal, se considerarmos os números do Banco Mundial o Brasil transporta 1% dos passageiros por ferrovia.


Segundo o pessoal do Xadrez Verbal, a empresa ILOS do Paulo Fleury, fez uma pesquisa sobre os custos logísticos no Brasil em 2013, e chegou à seguinte conclusão:

Transportar 1000 tonelada por km custa:

- Em ferrovia: R$43/km

- Em rodovia: R$259/km (6x mais)

Construir ferrovia custa 4 vezes mais do que rodovia, porém, como visto, a médio e longo prazo a ferrovia se paga, pois tem um custo de transporte muito menor.

  • Hidrovias:

O Brasil tem cerca de 63.000km de rios e lagos, sendo que, desses, 45.000km são navegáveis, ou seja, mais de 70% de nossos rios e lagos são navegáveis. O transporte por hidrovias, porém, representa apenas 14% das cargas no Brasil - um enorme potencial não aproveitado.


O Brasil é o 3º país do mundo em área aquática, atrás de China com 110mil km e Rússia com 102mil km, já os EUA estão em 5º e, curiosamente, o Canadá está em 77º em extensão de Hidrovias e mesmo assim transporta mais carga que o Basil.


Os EUA transportam 25% das cargas em Hidrovias, e o Canadá 35%, ou seja, país com área menor que a do Brasil transporta muito mais cargas por hidrovias.


O Brasil tem apenas a 28ª marinha mercante do mundo, mesmo tendo um dos maiores litorais contínuos do mundo.

  • Rodovias:

Ficou muito claro que a prioridade no Brasil nos últimos anos foram as Rodovias, porém, vamos entender que, mesmo assim, o investimento no setor foi muito ruim.


Os Estados Unidos têm 6,5 milhões de quilômetros de rodovias e ocupa a 1ª posição no ranking, número incomparáveis com qualquer outro país.


O Brasil, 4º do mundo, tem apenas 1,5milhão de km.


O minusculo Japão, se comparado com o tamanho do Brasil, tem 1,2 milhão de km, e a França que deve ser do tamanho de Minas Gerais tem 1milhão de km de rodovias.

Um número muito mais importante e proporcional, em densidade, mostra que o Brasil é apenas o 87º no ranking, pois, a cada 100km² temos apenas 18,6km de estrada.


Um relatório do Fórum Econômico Mundial de 2016, atribui algumas notas (de 1 a 7) para os países, em diferentes itens ligados a rodovias:

Qualidade das rodovias:

1º - Emirados Árabes com nota 6,5

109º - Brasil com nota 3

Obviamente não se compara a riqueza dos Emirados com o Brasil, mas, note, ocupamos a posição 109!

Conectividade entre as 10 maiores cidades:

1º - EUA - Nota 7

72º - Brasil - Nota 4,8

Isso quer dizer que, entre as principais cidades dos Estados Unidos, é muito fácil viajar por Rodovias.

Eficiência de mudança de modalidade

No ranking que mostra a facilidade com que uma mesma carga muda de modalidade de transporte, o Brasil ocupa a 131ª posição com nota 2,6.

Conclui-se que, em 130 países, é mais fácil uma carga sair de uma ferrovia e passar para uma rodovia para abastecer um cidade pequena por exemplo, por onde não chega a ferrovia.

Não importa o contexto, o Brasil está muito atrás!

Não se nega a importância da rodovia, dos caminhões, óbvio, o ideal seria que todos sistemas fossem interligados, mas, depender praticamente só de rodovias é preocupante. O déficit de infraestrutura do Brasil é gigante!


Como bem disse o Filipe Figueiredo, "mesmo no sistema rodoviário, percebe-se que, proporcionalmente, o Brasil nem tem tanta estrada assim, são estradas ruins, pouco conectadas, e pouco ligadas com outros meios de transporte, tem muito pouca ferrovia, por onde não andam passageiros, e tem hidrovias subaproveitadas".


O Brasil nas ultimas décadas aumentou polos produtivos, polos populacionais, teve crescimento demográfico nas principais cidades, mas a rede de transportes não expandiu de maneira relevante.


E o Filipe conclui: "Qualquer fato, mínimo que seja, eleva o preço do petróleo, aumenta o preço do Diesel e da gasolina e todo o sistema colapsa, quando o ideal seria que uma coisa complementasse a outra.


Nos EUA, por exemplo, não teria a menor necessidade de uma carga viajar centenas de km por rodovia apenas.


Mistura de interesse? de Incompetência? Praticamente só se investe em rodovias e com execução ruim das construções das estradas.


Um resumo para toda essa situação, pode ser o mesmo resumo para qualquer outra situação: não há planejamento de longo prazo.


O Estado gigante, socialista, não consegue planejar além de 4 anos para obter resultados no futuro, a próxima eleição é logo ali, portanto precisam garantir votos!


Alguém aposta numa melhoria desse cenário nos próximos anos?

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