Oportunidades na Relação Brasil X Estados Unidos

Como o Brasil se reaproximar dos EUA? Como aproveitar o bom momento americano? Como superar as dificuldades dos emergentes com saída de capital para os EUA?

Aproveitando o tema abordado por Filipe G. Martins e Allan dos Santos em um programa do canal terça Livre no YouTube, decidimos tratar do assunto neste artigo, usando essa conversa como referência e fonte de informações, os parafraseando, afinal, concordamos plenamente com o ponto de vista dos dois.

Os EUA estão iniciando um ciclo de aumento das taxas de juros como forma de conter a inflação (ainda muito baixa) gerada pelo aumento no consumo das famílias americanas, o índice de desemprego é historicamente muito baixo, e Donald Trump conseguiu dar um dinamismo muito grande à economia.

Apenas o início do ciclo de alta nos juros já causou um grande impacto no preço do dólar no Brasil que já subiu 23% em 2018. (além das questões internas, Turquia, etc.)

Isso sem contar a inflação que gera a perda do poder de compra da moeda.

Com a continuidade desse ciclo de alta nos juros americanos nos próximos meses, a tendência é que o dólar continue se valorizando frente ao Real, principalmente, porque haverá um fluxo de saída de investimentos do Brasil para os EUA - afinal a maior economia do mundo vai pagar melhor pelos investimentos em seus títulos. Um bom motivo para se manter ao menos parte de uma reserva financeira em dólares.

Esse fluxo de saída de capital já está ocorrendo em todos os países emergentes, sobretudo após o estouro da crise na Turquia onde a moeda já se desvalorizou 70% em 1 ano. E como em qualquer cenário de crise, as moedas fortes se valorizam, ainda mais agora com a economia americana aquecida.

Ou seja, todos emergentes, como sempre, vão sofrer. Daí a importância da proteção de patrimônio com diversificação internacional.

Por outro lado, a disputa comercial entre EUA e China pode gerar oportunidades justamente para esses países emergentes, pois, os EUA não conseguem produzir tudo aquilo que demandam dos Chineses e principalmente a um custo tão baixo. Os americanos não têm toda expertise e muito menos a mão de obra, a força de trabalho básica.

Logo, os EUA vão buscar outros parceiros econômicos.

Se de um lado temos um cenário de crise nos emergentes, do outro podemos ter um cenário de oportunidades. O Brasil vai aproveitar as oportunidades?

Dólares podem sair do Brasil em busca da segurança americana mas, por outro lado, a demanda americana por alimentos, grãos, carne, o agronegócio em geral, matéria prima, comodities, tecnologia, etc. pode fazer com que ainda mais dólares entrem no Brasil como investimento direto! O que gera um resultado ainda melhor na economia com investimentos, maior comércio, receita das empresas, aumento de produtividade, geração de empregos, arrecadação do governo, etc.

Somada a uma política fiscal eficiente do próximo governo brasileiro e importantes reformas, pode ser uma chance de ouro para a economia!!

Chance parecida com a que ocorreu na década de 80, quando Ronald Reagan acelerava a economia americana, e o Brasil tomou o rumo contrário atráves de políticas equivocadas do ponto de vista geopolítico, estratégico e comercial em relação aos EUA. Foi a chamada década perdida, pois não soubemos aproveitar o momento - talvez não pior que os anos 2005-2015. Agora, mais uma vez, essa história pode se repetir (ou já está se repetindo).

É necessário que os candidatos no Brasil tenham essa consciência, para não se repetirem os anos 80, e os anos (2005-2015). Muitos políticos brasileiros flertam com países do Foro de São Paulo, com a China, Rússia, dentre outros, econômica e ideologicamente avessos aos EUA o que poderia ser um entrave nas relações.

Recentemente o vice presidente americano Mike Pence esteve no Brasil, e parte dos políticos e da mídia criticaram uma suposta reaproximação entre BR e EUA - talvez por questões ideológicas e nem tanto econômicas.

Citando, apenas como exemplo, a possibilidade de entrega da base de Alcantara no Maranhão para os americanos. O Centro de Lançamentos de Alcantara (CLA) tem uma posição geográfica privilegiada para lançamentos de foguetes espaciais com grande economia de combustíveis pela localização próxima à linha do Equador. Já foi tentato um acordo no pasado com os EUA, porém políticas internas contrárias conseguiram barrar, sob o argumento de cessão de soberania nacional (?). Enquanto isso China, India e até a Argentina ultrapassaram o Brasil nessa questão. Hoje o Brasil tem 100% da soberania no CLA, mas não aocntece nada lá!

Ora, o Brasil não tem know how e recursos para explorar esse ramo da tecnologia, logo, vai precisar se associar a alguem para fazê-lo, tornando a base útil como deve ser. Então, a quem se associcar? EUA, Russia, China?

Se associar aos EUA é uma oportunidade, por exemplo, do Brasil absorver talvez a maior tecnologia do mundo no assunto, ao menos em parte, abrindo um mercado interno com muito potencial de investimentos como em pesquisa e desenvolvimento, por exemplo.

Associar-se aos EUA nesse segmento é uma oportunidade rara, que pouquíssimos países (ou nenhum outro) terão: receber investimentos da NASA, e da empresa Space X do bilionário Elon Musk (da Tesla), etc.

Esse é só um exemplo de como Brasil poderia se favorecer com a melhoria nas relações comerciais com EUA e demais parceiros econômicos.

Brasil tem a chance de ocupar boa parte da posição da China no comércio internacional em mercados como EUA, Israel e aliados, iniciando um período de grande prosperidade , principalmente se mudar os rumos da nossa desastrosa política externa recente e, em paralelo, promover as reformas necessárias, como a da previdência.

Nos últimos anos temos nos virado na direção contrário dos EUA, de encontro ao próprio interesse americano de potencializar a posição Brasileira no cenário internacional ou, no mínimo, na América Latina. Como bem lembrou Filipe G. Martins, na criação da ONU, os EUA foram o único país e apoiar uma cadeira permanente do Brasil no conselho de segurança, enquanto França e União Soviética foram contra.

Os EUA têm real interesse em fortalecer uma parceria comercial e estratégica com o maior país da América Latina. Bom para o Brasil se souber aproveitar.

O fato é que atualmente o Brasil não ocupa a posição que deveria no cenário internacional com capacidade que tem de produzir riqueza. E agora pode ter uma chance de ouro de mudar esse cenário.

A receita? Reformas importantes, gestão fiscal, controle de gastos, desburocratização, economia de mercado, privatização, maior abertura do mercado internacional, reaproximação com EUA e aliados, etc.

E os investimentos como ficam? Como em qualquer circunstância, sobretudo em momentos de crise e indefinição, ter uma diversificação dos investimentos em moedas fortes pode dar um equilíbrio maior, afinal diversificar o risco é sinônimo de segurança.

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